Lei de direitos autorais

LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998

Artigo 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:

IV - o apanhado de lições em estabelecimentos de ensino por aqueles a quem elas se dirigem, vedada sua publicação, integral ou parcial, sem autorização prévia e expressa de quem as ministrou;

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11 de abr. de 2015

Sinestesia e Ismália em "Jardim de estrelas e noite sem fim", de Selma Antunes

   Ler o livro vai além do ler, sentimos toda a leveza e dureza como se fosse em nós. Poesia e prosa trazem duas realidades, a interna e a externa, de uma criança que é mulher. As duas conversam e dividem os prazeres de ser uma a outra sem realmente o serem no mesmo espaço-tempo.
    Complexo? O livro não é, só o seu conceito. Tudo nele é sinestésico, suas imagens nos poemas, prosa e ilustrações vão além do seu posto e leva todo leitor a olhar sempre pra cima, sentir o vento que não há dentro de seu quarto enquanto o céu se manifesta de forma atemporal, quanticamente completo e giratório além do teto seco que está ali na realidade, mais um dos encantos da sinestesia.
    Os temas são todos vaporosos, trazendo uma sensação de melancolia e alegria que não se fixam, visto os braços esticados na terra, ou torre, em busca das estrelas inalcançáveis, a não ser que seja na dualidade ismálica mística e romântica, porém ainda no plano de Eros e Psique.

   Tive a oportunidade de estar em um curso com a autora, pessoa leve e simpática, e era uma das que mais me chamavam atenção em seu jeito de usar o grafite e sua percepção dos objetos! Selma, obrigada por me deixar te conhecer e espero que tenha o mesmo deleite no meu livro, e é claro que lhe recomendarei para ilustrações de colegas que precisarem! Parabéns.

30 de out. de 2014

O apanhador no campo de centeio


                                                                                                                                      Alexandre Klein

AVISO: Contém spoilers de O apanhador no campo de centeio (J.D. Salinger); Os Instrumentos Mortais — Cidade dos ossos (Cassandra Clare); A esperança (Suzanne Collins) e A culpa é das estrelas (John Green).

   Imagine que você está no espaço sideral e que junto de você tem uma zebra falante, no entanto ela só fala em árabe e ambos precisam derrotar uma ervilha maligna que quer destruir Plutão… isso faz mais sentido do que O apanhador no campo de centeio. Calma, vamos lá, não é bem assim totalmente sem sentido. Porém é um livro narrado em primeira pessoa, onde os detalhes, os fatos e os sentimentos são envoltos por apenas uma personagem central: Holden Caulfield. E é isso o que te deixa maluco, sem saber no que acreditar. Porque ele pode ter dito uma coisa, mas pode ser que essa coisa não seja a verdade… Muitos aspectos fazem dessa obra algo maravilhoso, inclusive com o Holden narrando essa sua “partida” da escola que frequentava — o Pencey —. Antes deixe-me situá-los para que não fiquem perdidos aqui.
   Holden Caulfield tem três irmãos — um deles já falecido —, o D.B. e a Phoebe, ele é o irmão do meio com dezessete anos, mesmo aparentando ter treze anos no começo do livro. Não é um aluno bom ou inteligente, porque, na realidade, ele se importa com pouquíssimas coisas. A escola não é uma delas. Reprovado em quatro de cinco matérias, ele decide parar de estudar ao mesmo tempo em que é expulso do colégio. Seus pais não podem saber disso antes que ele conte, então decide perambular pelas ruas de Nova York durante dois dias.
   E como esses dois dias renderam.
   Nunca tinha lido algo tão confuso e perturbador, mas ao mesmo tempo incrivelmente adorável. É fantástico! Me perdi junto das histórias do Holden e me envolvi com seus pensamentos. Uma professora me disse que o que J.D. Salinger (o autor) queria com o livro era retratar a mente de um adolescente deslocado e com problemas. Uma tarefa praticamente impossível de ser feita com sucesso.
   Mas Salinger conseguiu! Ele mostrou exatamente as coisas que nos deixam alegre, aquelas que nos fazem chorar, rir, ficar bravo e confuso. Eu mesmo me identifiquei muito com o Holden, para dizer a verdade. E por falar em Holden… ele é a personagem mais incrível que eu pude conhecer. Porque em uma hora ele parece esquizofrênico — quando em todos os momentos que conversa com seu irmão morto, o Allie, e o imagina como se ainda tivesse vida —, e em outros momentos ele é simplesmente bipolar — nas horas em que passa de raivoso e começa a chorar, mas depois já está rindo de novo de uma história do passado — e, o mais importante, parece abalado emocionalmente. Porque, na verdade, ele está. É uma sensação ótima saber que há oitenta anos atrás, mais ou menos, existiam jovens com os mesmos problemas que os de agora. Todo o momento em que eu voltava a ler, eu sentia o Holden bem perto de mim — para não dizer que eu me sentia como sendo ele. O livro teve muita influência sobre mim, porque depois de conhecer o Holden (sim, nós somos muito amigos) eu adotei alguns aspectos dele. Como, por exemplo, o fato de não se importar com ninguém ou com nada. A partir do momento em que eu terminei de ler o livro, quase tudo se tornou irrelevante para mim e eu soube o que realmente ter como prioridade. O livro causa esse efeito e, acredite, não se importar é uma sensação ótima.    Quanto ao tempo; parece que se passa em uma eternidade. Mas o que você julga se passar em uma semana, ou coisa parecida, acontece em dois dias. Se você não prestar atenção nas marcas do tempo você se perde entre o presente e o passado, e isso faz com que a história pareça durar mais. Esse foi outro ponto que Salinger usou com maestria.
    Os personagens, não só o Holden, são construídos todos com muita perfeição e particularidade. Como se nós — os leitores — soubéssemos a história de cada um deles, mas o Holden não sabe. O Ackley, um colega de quarto dele, é legal em certos aspectos e entendemos que ele só precisa de atenção. A Phoebe, a irmã mais nova dele, é uma graça.  A criança mais inteligente e espontânea do mundo, não só na percepção do próprio Holden, como na minha também. No entanto, uma coisa que me chocou foi o fato de saber que ela fumava e que provavelmente ela não era a única criança a fazer isso naquela época. Eu não estava preparado para essa “adultização”. Mas quanto ao fim… não sei o que dizer. Faz mais de um mês que eu o li e ainda não sei falar sobre o final. Foi a coisa mais repentina que eu já li. Tínhamos toda a história, onde acompanhamos o Holden, mas temos a falta de um objetivo e de uma reviravolta, porque eu estava acostumado com livros assim, no qual a história era introduzida, havia uma problemática, acontecia a reviravolta e acabava lindamente. Mas O apanhador no campo de centeio veio como um choque de realidade, do tipo “olha como eu sou diferente… sou original” e isso é verdade. E conforme as páginas vão se esgotando, você vai se perguntando “tá, cadê a parte mais    emocionante?” e, já vou adiantando, ela não existe. Mas, espera, isso não quer dizer que o livro não seja bom. Ele é, e até demais. Mas se você está procurando algo como descobrir que o Jace e a Clary são irmãos, ou que a Prim morre, desculpe, mas você não vai encontrar isso. Um aviso bom para aqueles que gostariam de ler Uma aflição imperial de A culpa é das estrelas (John Green), pois é muito perceptível a ligação que John Green estabeleceu entre Van Houten – J. D. Salinger e O apanhador no campo de centeio – Uma aflição imperial. Ambos autores (Van Houten e Salinger) se exilaram depois de lançar seu único livro, é quase como se Van Houten fosse o Salinger do século XXI. Leiam, porque realmente vale a pena. O fim… vamos lá, eu estou enrolando pra falar, mas o fim é apenas isso. O fim.
   Como se o autor tivesse se cansado de escrever e falou “vai ficar assim mesmo” e mandou para publicar. O fim é só o fim. Sem nada dramático ou filosófico, simplesmente acaba. E, entretanto, é maravilhoso. Porque o simples fato de acabar mostra como realmente a vida é assim, chata, entediante e sem nada de muito surpreendente ou maravilhoso. Não vivemos num conto de fadas, e não vivemos num mundo onde o fim é “e viveram felizes para sempre”. Mas sim, presenciamos o mundo onde os discos de vinil se quebram no Central Park, onde as crianças fumam, onde prostitutas têm quase sempre uma história por trás, onde não podemos sair dos padrões. E o Holden ao mesmo tempo em que segue essa “doutrina” ele a quebra.
   Então vamos às considerações finais (FINALMENTE). Pode até ter parecido que eu falei muito, mas, na verdade, não. O livro tem um pouco mais de duzentas páginas e eu só contei a história por cima. Deixando de lado a metáfora mais linda e mais misteriosa que eu percebi, a do abismo. É como se a vida adulta fosse um abismo sem chances de volta, uma queda tremenda, onde nos prendemos à tantas responsabilidades sem volta e sem gosto. E o Holden não quer passar por isso, mas é algo que todo mundo se insere por mais teimoso e persistente que seja. É uma etapa da vida, tanto quanto a morte. Sem falar nas mais variadas gírias que me divertiram e me capturaram, como “pomba”, “puxa” e todas as vezes que ele “fica deprimido”. E é ainda mais incrível presenciar uma realidade de alguns anos atrás, onde onze horas já era considerado tarde, onde uma criança fumar seria “normal” e onde as músicas eram tão mais… rígidas? O apanhador no campo de centeio era o que o Holden gostaria de ser, salvar as crianças que estivessem prestes a cair de um penhasco como um grande salvador da pátria e eu vi nesse sonho uma pontada dele querer ser um “herói”, ou ao menos ser perceptível dentre os outros, porque é isso o que nós queremos. Atenção. Queremos ser notados pelo que fizemos e pelo que viremos a fazer. Isso me fez entender quem e o que o Holden era… ele só queria que as pessoas soubessem que ele existia, mesmo que não admitisse isso para si mesmo. Então, meu caro Holden Caulfield, saiba que a sua história já criou dois assassinos, uma revolução no setor literário e mais de 60 milhões de cópias vendidas.
   Se essa era a sua missão, ser notado, meus parabéns. Tu conseguiu.

13 de ago. de 2014

O tempo é um rio que corre, melhor do que poderia esperar




Laura Lucy Dias

Eu já ouvira fala da tal Lya Luft, e em um dia perfeito estava a passear pela livraria, para adquirir um livro para meu marido, ele já sabia qual. Eu não procurava nada e topei com este livro, vistoso como poucos, só de tocá-lo o quis. A capa para mim é linda e o conteúdo era inesperado.
Imaginei que seria uma ficção, mas deparei-me com um monólogo calmo e intimista. De fato me surpreendeu poder estar ali na vida da escritora e mesmo assim com tão poucos detalhes íntimos revelados. Ela reflete sobre as fases da vida, divaga e quebra paradigmas sobre diversas coisas ligadas ao senso comum, de forma livre e suave.
Realmente faz pensar em muitas coisas, e acho que é um livro para qualquer idade. Porém o arroubo da juventude dificilmente o terminaria, pois a velhice está tão distante quanto a ideia de morte. Eu sou uma mulher adulta e pude vislumbrar um modelo de velhice diferente do que a mídia nos mostra.
Fez-me pensar que de fato não entendo os idosos de minha convivência, e são poucos e com pouco contato. Não há como entende-los, mas deveríamos apreciá-los mais. É difícil em muitos casos, mas e importante fazermos a nossa parte para tanto, afinal, a gente aprende as coisas de várias formas e muitas delas é conversando, observando e lidando com coisas que não estão em nosso domínio.
Obrigada Lya Luft, estou muito mais leve, apesar de ainda ser espreitada por esta personagem tão importante em todas as culturas, e que nos torna tão iguais, apesar da ilusão de diferenças, criadas pelas mentes e desejos nem sempre voltados para o bem comum..

5 de ago. de 2014

A menina que roubava livros: livro x filmeA menina que roubava livros: livro x filme



 Por Laura Lucy Dias

Essa é uma resenha crítica e poderá conter spoilers. Não contarei nada sobre o livro, mas as comparações e os itens contados são reveladores, e se darão sobre os itens textuais, de adaptação e sobre as histórias contadas.

Para começar, eu vi o filme primeiro, na semana do lançamento. O livro vim a ler agora, terminei ele anteontem (3/8/2014). O filme é lindo, uma boa adaptação, mas como acontece com outro filme/livro que amo – o “A casa dos espíritos”, com as lindíssimas Meryl Streep, Glenn Close – não há como abranger todo o conteúdo, e assim o roteirista tem que se virar para manter a essência do livro no filme, sem prejudicar, mesmo que a adaptação seja drástica como em muitos casos.

Primeiramente o livro tem quase 400 páginas, e passasse por vários anos. O filme tem apenas a duração básica de pouco mais de uma hora, quase duas. Não há como fazer milagre, por isso a gente começa a perdoar. Mas o que não perdoo foi a alteração da voz do narrador. Na quarta capa já se sabe que o livro é narrado pela morte, não é? Então... no livro ela se dirige a si mesma como um ser feminino. No filme colocaram a voz masculina, e isso, ao comparar com o livro e o desenvolvimento do narrador personagem (é, ela é personagem, sim) do livro, não haveria como ser um ser de princípio masculino. Isso me ultrajou como mulher e especialista em literatura.

Mas passamos por isso e vemos acontecerem muitas coisas. O que mais me agradou no filme foi o Elenco: Papai com o Geoffrey Rush (me delicio a ver seus filmes em inglês, sua dicção é envolvente, linda) e Mamãe com a Emily Watson (Já viu “Dragão vermelho”? Veja, ela dá um show. Fora que amo esse filme que tem outras feras inigualáveis.). A menina é lina, mas nada de magricela como a Liesel, pois deve ter um problema sério de colocar atores normais – isso é feito em “The Orange is the new Black”, mas só para maiores -  para ser o personagem principal, tanto que o fizeram com os outros atores e no filme “A culpa é das estrelas”. Ter câncer terminal e manter aquela forma? Tão idealizado quanto irreal.

Outras adaptações que foram inteligentes no filme são os acontecimentos que vêm no livro através de uma narrativa psicológica (narrativa no ritmo da memória, diferente da cronológica que acontece com o decorrer do tempo, acontecimento após acontecimento, sem ir e voltar no tempo). Por exemplo, quando Rudy faz a vez de Jesse Owens no livro, a Liesel não havia chegado à Molching, mas no filme colocaram a situação como cronológica. O filme é cronológico, acho que só para alguns momentos há uma memória, mas não lembro-me bem.

De fato chorei muito no filme, ainda mais pelo fim de Papai, amo este ator, não o matem mais! Que seja no filme não se pode aprofundar muito nas personagens que ali estão, ao contrário do livro. Além de as situações ficarem inusitadas, a Liesel não conta histórias da cabeça dela, ela simplesmente lê seus livros, ela também não é roubadora de livros, a mulher do prefeito sabia dos roubos, se torna a roubadora de livros devido ao fato de ela ser uma ladra devido as circunstancias de sua vida e da dos demais adolescentes daquela região em meio a uma guerra. Ela se torna roubadora em seu próprio livro, perdido ali na explosão em que há a fatalidade de faze-la a única sobrevivente de sua rua Himmel.

No livro chorei quando ela foi levada para o funeral, omitido no filme. Não lembro no filme como acaba, mas ela fica com a mulher do prefeito e ele, convive com o pai de Rudy e realmente reencontra com Max, ao findar a guerra.

Essas são minhas premissas sobre a comparação, agora falando da genialidade do livro e seu autor, não sei se há muitas narrativas assim, mas é muito bem encadeada e me trouxe surpresas. A literatura tem se permitido cada vez mais a subverter regras editoriais e de estilo. O livro é muito bonito editorialmente falando, estruturalmente falando em relação a narrativa e ainda mais em seu conjunto. Personagens fortes, história marcante, verídica ou não, facílima de ser aceita pelo leitor.

Para começar falemos da narração e estrutura de capítulos e editorial, se posso dizer assim: a morte narra a história por motivos que você descobrirá no final. Ela é como uma velha muito lúcida e culta contando algo para você, mas sem repetir muito, ela se intromete diversas vezes e uma maneira de se intrometer é o zigue zague que ela faz no tempo para contar cada coisa, isso nos aproxima de uma narrativa oral e ainda faz com que nos aproximemos dos personagens. Para ser exata, a morte  conta pra nós o final antes de tudo, o que demonstra que o final não é o mais importante e ainda faz com que o leitor se apegue a história, pois apesar de dizer o que acontecerá, não diz tudo.

Ainda dentro da narrativa que envolve livros, acima de tudo envolve a aprendizagem da leitura e da escrita de Liesel, e a morte acaba por colocar alguns verbetes e lembretes no meio dos textos e dos capítulos. Isso foi genial para mim, não sei se há muito disso hoje em dia, pois costumo ler mais literatura clássica ou neoclássica, mas de fato, inclui além disso os desenhos de Hans e de Max, os textos de Max entram com uma caligrafia de tinta de parede, fazendo a vez de aproximar-nos do lugar onde se desenrola, assim como a luta de boxe.

Isso pode ser genial, mas o livro vai além da narrativa, é um hibrido de narrativa poética em vários momentos, mas apenas com elementos de metáforas displicentes que mostram como o autor é delicado em seu escrever e na sua visão de sua história. Começa a nos dar a dica, a nos impor essa maneira de lidar com as comparações quando a morte começa a falar, antes de tudo, sobre as cores. Há diversas maneiras de qualificar as coisas, algumas estranhas demais outras delicadas à beira da emotividade, mas principalmente que arranham-nos para entendermos aquelas passagens, para termos em nossa pele ideal a sensação da própria morte em relação ao narrado e descrito.

Simplesmente lindo. Eu não esperava tanto, confesso, e me agradei por demais, mesmo com as falhas do filme. O livro tinha 2 palavras que não conhecia, e não consultei no dicionário. Amei isso. Poucos são os livros que o fazem hoje em dia, e não falo das mantidas em alemão. Aliás, a tradução é muito delicada e inteligente! Parabéns à Intrínseca.

9 de abr. de 2013

Quem Ama Educa, de Içami Itiba


   Eu li este livro por indicação de minha querida Ana Cristina, e agora vou postar as minhas observações sobre este livro. Basicamente ele é muito bom, mas ele tem muitos poréns.

  Comecemos pelo autor, ele publicou este e muitos outros livros que cuidam de educação de crianças e jovens, desde a família até o âmbito escolar (é porque deve ser nesta ordem, né!!!). Ele trabalha suas obras em conjunto com a sua filha, que e psicóloga/psiquiatra e demonstra ter uma família feliz.
  O livro em si me pareceu como um apanhado de textos que foram pegos e publicados em ordem de temas e gradação de assuntos, porém isso o torna um pouco repetitivo e cansa a leitura, mesmo esta sendo fácil e eu tendo lido-o em muito pouco tempo. 
   O que acontece é que este livro é voltado para as famílias tradicionais: pai, mãe e filhos que convivem juntos no mesmo lar. Vai falar da mãe e do pai para que a mãe e o  pai possam trabalhar juntos na educação do pimpolho e ainda manter uma relação saudável e estável.
   O que me pegou foi o fato de que hoje há tatas famílias que se constituem de forma tentacular que nem sei se serve para os casos de pais assim. Claro que para as mãse serve, mesmo as solteiras, separadas, viúvas ou no seu segundo casamento, por exemplo. Mas os pais... já não parece que é tão mobilizado para tal.
   São muito interessantes as análises históricas da educação e a visualização da evolução da familia que tinha filhos como coelhos, e como tinha muitos não precisava valorizar, e passar até chegar para a nossa atualidade (e ver ainda na introdução) o significado do "Meu filho, meu tesouro". A partir do momento que seus filhos, sua prole passa a diminuir, o valor individual de cada criança aumenta, e então "ai de você se mexer com meu filhinho!!!!".
   Seja por políticas de controle de natalidade, por um reconhecimento da infância como uma fase distinta ou a supervalorização, divinização da adolescência, a nossa sociedade perdeu um pouco do eixo que conhecia e o bicho pegou. Agora nem temos moral, nem temos disciplina e nem temos famílias que educam!!! Vamos terceirizar a criação de nossas crianças e logo Freud terá a possibilidade de estar cada vez mais certo e quem sabe o admirável mundo novo logo se instaure, talvez de forma adversa, porém quem sabe num nível espartano! 
   Gosto de pensar que a humanidade sempre se encaminha aos extremos, e quando chegamos no caos, retomamos teorias e atitudes já utilizadas no passado. Não desejo a palmatória, mas que pelo menos a família recolha a valorização da cidadania como uma nova moral no seu seio, que o respeito seja foco e a educação venha do lar para a escola, possibilitando que essas crianças possam aproveitar melhor aquilo que as instituições escolares podem oferecer de melhor!!!
   Ai, falei! :p