Lei de direitos autorais

LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998

Artigo 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:

IV - o apanhado de lições em estabelecimentos de ensino por aqueles a quem elas se dirigem, vedada sua publicação, integral ou parcial, sem autorização prévia e expressa de quem as ministrou;

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21 de mar. de 2014

Amor Proíbido - Capítulo 18: Ritual de passagem em processo



Na manhã seguinte, Roberta acorda ainda lembrando da terrível conversa com sua mãe e, e só de pensar fica toda arrasada... não gostava de magoar seus pais, mas não gostava de sofrer injustiças. Não sabia o que fazer, era sábado e não teria para onde correr, ficou pensando em terminar com o Matheus, mas ela o ama demais.

Não se levanta da cama, sente-se quente, indisposta, com vontade de morrer. Sentia-se despedaçada e meio morta, na realidade. Era tarde, pois o sol estava batendo à janela, mesmo que fechada, já permitia certa iluminação em seu quarto. Parecia que estava presa para sempre em um mundo difícil de viver. Difícil devido ao fato de as pessoas que ama estarem a fazendo sofrer dessa maneira.

Seria tão simples ter todos consigo, de forma harmoniosa, de forma amorosa.

Mistério é o que acontecia desde que não sabia... qual era o problema? Matheus era perfeito...

Ficou de cama... estava febril, não queria comer, a mãe veio ter com ela e forçou-a a comer e ela vomitou. Estava muito triste e magoada, e o corpo respondia ao emocional.

Passou o dia assolada pela dor que sentia e começou a melhorar a noite. Seu pai chegou e a levou ao médico. Lá foi medicada, remédio para conter os sintomas. Estava com fome quando voltavam e pararam em um restaurante para comer. Lá viram quem não esperavam, Matheus e sua mãe.

O clima pesou, estavam sentados e o seu pai fez questão de sentar-se de costas, não permitindo que ela olhasse para o garoto, que se levantou e foi cumprimenta-los. Recuou quando a mãe lhe segurou agressivamente.

- Onde você vai, Matheus?! Eu já disse que esta garota não serve para você!

- Mas ela é minha amiga! Não posso falar um oi?

- Se você insistir, levantaremos e iremos embora agora mesmo!

- Mãe!

Da mesa onde estavam podia-se ouvir a discussão e isso deixou a garota mais intrigada, o pai fazia cara de quem não estava por ali e a mulher estava furiosa. O que significava aquilo tudo?

Jantaram e saíram primeiro a família de Matheus, Roberta não conseguia encará-lo e sentia os olhos do amado buscando um refúgio nela, o que não acontecia. Na mente da menina apenas ressoava “será que terei que terminar com ele?” ecoando polifonicamente com “qual será o problema real?”.

Amor proíbido - Capítulo 17: Pesadelo e dúvida

O medo esfria a espinha de Roberta ao ver sua mãe, sente vontade de correr, de se esconder, dor de barriga, vontade de desmaiar... ao ouvir a voz da mãe parece que entra em um pesadelo:
- Roberta! Agora você terá que me explicar tudinho! – Samantha agarra seu braço e puxa a garota pela rua, Roberta se debate e é arrastada pela mulher furiosa. Gabriela fica ali, na calçada, observando satisfeita aquilo tudo, na expectativa de que as coisas seriam mais fáceis para ela. Matheus deveria ser dela, ou de mais ninguém!
Em casa a mulher empurra a garota para o sofá e pega seu celular, vê as mensagens do namorado com nome de garota anotado na agenda, ele era a Lívia 2. Na rede social mostra as fotos que recebera anonimamente e encurrala a garota, que tenta explicar que ama o rapaz, e que quer fazer as coisas certas, mas não entende o que acontece com a mãe.
- Não quero que você esteja com este garoto, você poderia namorar qualquer um, me explica o motivo de querer namorar ele! Você quer se arruinar, e acabar com esta família. Namorar escondido já é horrível e ainda com alguém que sua família desaprova! Isso é pior... mito pior!
- Mas mãe... ele é um bom rapaz, estudioso, amoroso, tem uma família estável como a nossa! Por que não posso namorá-lo?
Neste momento o pai está à porta abismado e já sabia o assunto todo. Aquilo o fazia estremecer, ele não queria se envolver, pois o sentimento de culpe era maior que a vontade de resolver aquilo. Tudo deveria estar resolvido e terminado, mas ficava retornando incessantemente. Ao percebê-lo à porta a esposa o chama à realidade e ele deve interagir com a situação complexa como um homem:
- Roberta, você sabe que somos seus pais e temos direitos sobre você, devido ao fato de sermos seus responsáveis! Sempre foi uma boa filha para nós e agora é um momento difícil de resolver, porém a única maneira que vejo é lhe impedindo de ver este garoto.
- Mas pai...
- Não tem mais, Roberta. Esse será meu último aviso e caso você insista, nós mudaremos você de escola, levaremos e buscaremos, nunca mais a deixaremos fazer nada sozinha. Você perderá muito e será muito triste para todos. Está resolvido e não há como voltar atrás. Além de não ter idade para namorar, este rapaz não serve para você!
- Suba para o seu quarto e pense sore tudo isso, volte a ser a boa filha que criamos, antes que eu tenha que resolver isso fisicamente, Roberta. – finalizou ameaçadoramente a mãe, segurando o choro e a raiva que sentia.
Nada se esclarecera para a menina, ela só podia pensar que tudo aquilo era exagero, pois nunca imaginara que seus pais agiriam assim. Se fosse por estar namorando, tudo bem... mas falar que esse motivo seria relevante em relação ao de escolher o Matheus... isso era algo que ela precisaria entender... e não aceitaria facilmente.

Amor proibido - Capítulo 16: A vingança de Gabriela



Era um sábado ensolarado e Roberta e Matheus decidiram se encontrar em uma sorveteria. Roberta despede-se ao telefone:
- Nos encontramos à uma hora na sorveteria! Tchau meu amor, minha mãe está me chamando!!!
Ela vai se arrumar para o encontro e fica muito bonita, o amor inspira a vaidade. O que ela não esperava era que Gabriela estaria lá. Ao chegar a sorveteria, os pombinhos vão logo se cumprimentando com um beijinho romântico dentro de um abraço apertado e ela diz:
- Nossa, como você está cheiroso!
- É para retribuir toda a beleza dessa linda namorada que eu arranjei! – galanteia o garoto.
Os dois entram na sorveteria e começam a conversar, distraidamente, permitindo que Gabriela observe tudo, rancorosa. Roberta diz ao amado:
- Nossa! Àquela hora que eu estava falando com você ao telefone, por pouco minha mãe nos pega. E agora ela quer ficar mexendo no meu celular.
- Vish, agora ferrou...tome mais cuidado! - disse Matheus passando a mão na cabeça - Como vamos nos falar?
O que Matheus e Roberta não sabiam que Gabriela estava escutando a conversa toda, detalhadamente.
“Ah, então... ela namora escondido da mãe!”, pensou Gabriela, já planejando contar para Samantha, a mãe de Roberta.
O namorico continuou melado e gracioso, deixando a antagonista muito chateada, apesar da esperança de acabar com tudo aquilo, cortando o mal pela raiz. O mais triste para ela era o fato de eles passarem mais de uma hora lá e nem perceberem a sua presença, tamanha a interação amorosa que mantinham publicamente.
No dia seguinte Gabriela voltou à sorveteria onde Matheus e Roberta iriam se encontrar novamente, parecia-lhe que agora seria o refúgio amoroso deles. Quando o casal chegou lá, ela estava escondida atrás do balcão, tirou várias fotos deles juntos e salvou em sua rede social. Sabia que eles ficariam ali por um tempo e logo se encaminhou à casa da garota para dar seu golpe final. Tocou a campainha e Samantha atendeu depois de alguns toques:
- Oi Gabi! Vamos, entre, por favor! Sente-se! O que lhe traz aqui, a Roberta saiu para tomar sorvete com a Lívia e a Amanda. Se você tivesse vindo alguns minutos antes a teria encontrado!
- Obrigada, mas vim aqui devido ela ter saído, para poder conversar com a Senhora, tia Samantha. – Gabriela era filha de uma amiga da Samantha, que a conhecia desde pequenina, mas não conviviam assiduamente.
- Ah, sobre o que?! – desconfiou a mulher.
- A senhora não sabe, né? A Roberta não te contou?! - diz Gabriela
- O que? E eu não estou sabendo de nada! Sua mãe está bem?
- Ah então... minha mãe está bem! O que acontece é que ela não foi encontrar a Lívia e a Amanda! Ela tá namorando escondido! - disse Gabriela, com vontade de rir, mas se controlando para parecer que estava preocupada.
Samantha fica calada e pensativa, nunca imaginaria que Roberta poderia mentir para ela, ainda mais sobre namorado. Gabriela continua, para reforçar a informação:
- Todo mundo da escola está sabendo, menos a senhora! Mas que falta de vergonha na cara a Roberta tem! Ainda mais por namorar o Matheus! A senhora o conhece?
- A Roberta não está namorando ninguém! Eu perguntei e orientei sobre este garoto! - diz Samanta meio confusa mas para ela que para Gabriela, e a garota lhe mostra fotos dos dois juntos no celular.
- A esta hora ela deve estar com o Matheus na sorveteria, eles sempre vão lá.
- Eu não acredito nisso! Eu vou ter uma conversa com a Roberta agora mesmo, e o Bruno terá outro quando ele chegar! – saem as duas direto para a sorveteria e encontram Roberta voltando, sozinha.
- Mãe?! – pergunta Roberta, espantada ao ver a mãe com a garota.

19 de mar. de 2014

Amor Proibido - Capítulo 15 – Saudades do meu pai

    Numa noite de sábado Matheus e sua irmã Maria Clara estavam vendo televisão com a mãe, era um dia frio e passava um filme de policial. Isso o deixava-os tristes, pois lembrava o pai deles. Já fazia muito tempo que acontecera, ele foi morto em serviço quando estava em um tiroteio no meio de um assalto.
    - Mamãe, como será que o papai está lá no céu?
    Matheus logo se irrita com esta pergunta, e pensa “como crianças são idiotas”, olhando feio para a irmã. A mãe responde:
    - Provavelmente olhando para você e cuidando de nós.
    Continuam assistindo ao filme, e a mãe percebe que o Matheus ficou mexido. A menina pergunta de novo:
    - Me conta de novo, a história do papai?
    - Mas agora, minha filha, vamos ver o filme.
    Matheus levanta inquieto e vai para a cozinha.
    - Por favor, mamãe. – ela corre para a estante e pega o álbum mais antigo da família, com fotos de namoro de antes de Maria nascer, entrega a sua mãe que pensa no filho.       Matheus está na cozinha inquieto, pois sente muito a falta do pai.
    - Aqui vocês dois eram namorados? – aponta a primeira foto enquanto pergunta.
    - Não, nós éramos amigos. A gente se conheceu no ônibus, você acredita?! Essa foto foi tirada no ônibus quando viramos amigos.
    - Ah, mas qual foto é de vocês como namorados? – chateada pergunta a filha.
    - Nesta. – diz virando a folha e apontando uma foto onde se abraçavam – Esta foi tirada assim que eu aceitei namorá-lo! A gente tinha quase dezoito anos. Ele estava prestando concurso para ser policial. Matheus, está tudo bem, meu filho?
    - Não estou achando a bolacha de chocolate! – diz o garoto tentando disfarçar. Porque as crianças tem que ser tão intrometidas? Ela nem se lembra do pai, ele era uma lembrança só da mãe e dele.
    - Quando você casou com ele?
    - Ah, depois de dois anos, ele já estava na polícia e conseguimos construir esta casa no terreno de meu pai. – fala a mãe com a voz embargada. Aquilo era muito difícil para ela.
    - E essa aqui, onde foi?
    - A gente tinha viajado para a praia. Viu como a mamãe era bonita? E o papai também?
    - Mas porque o Matheus não foi com vocês?
    - Por que ele ainda não tinha nascido, ele nasceu no ano seguinte. Veja aqui a minha foto grávida dele.
    - Mas a senhora ficou gorda!
    - É claro que fiquei! Tinha outro ser humano dentro de mim! É assim que você vai ficar quando tiver meu neto, depois de casar!
    - Ah, mãe! Eu n ao quero! Credo
    - Na cozinha Matheus riu-se com a ingenuidade da irmã e resolveu voltar para a sala. A mãe ficou contente e demonstrou isso para ele com um sorriso.
   - Tem foto dele criança?
   - Aqui, ó! Ele tinha acabado de nascer, você se lembra dessa foto, Matheus?
Ele olha e não responde, não quer ficar triste.
   - Ele era tão pequeno, mamãe! Matheus, como foi que cresceu tanto?!
   - É porque eu puxei ao papai. – responde o garoto, relutante.
   - E eu? E eu? Tem foto minha dentro de você?
   - Mas não dá para me ver!
   - Você está dentro da barriga.
   - Credo, mãe! Tem mais foto do papai?
   - Tem essa aqui, que adoro.  – era uma foto de um homem alto, moreno, cabelo curto no estilo de exército, com uns óculos escuros iguais aos de policiais da televisão. Ele estava ao lado de uma moto da policia e todo fardado. Era muito bonito e forte.
   - Ah, não dá para ver direito. Quando ele morreu?
   - Você tinha dois anos, e seu irmão 10. Já faz muito tempo. Ainda sinto falta dele.
   - Mas como foi que ele morreu mesmo?
   - Ele estava trabalhando. Era um assalto, e começou um tiroteio, seu pai foi atingido bem no pescoço, não conseguiram salvá-lo a tempo.
Todos ficam desolados, e continuam a ver televisão em silêncio, cada um sentindo a sua dor do seu jeito.

9 de jan. de 2014

Amor proibido - Capítulo 14: Convalescência de André



Um carro para à porta de Roberta e buzina três vezes.
- Mãaaae!!! Estou indo, a mãe da Lígia cegou para nos levar ao hospital!
- Vai com Deus filha!
- Te amo! – grita batendo a porta com força.
- Oi Roberta!!! – as meninas falam em coro, Lívia, Amanda e Vitor estão no carro e vão ver o André antes de entrarem para a aula.
No caminho todas vão se lamentando e zoando com a Roberta, pois fora o pivô de todo o problema, menos Amanda, que diz estar chocada e muito preocupada com o amigo no hospital. Claro que ela responde, mas nunca consegue se livrar das piadas, pois sabendo que era tudo uma grande confusão, simplesmente sobrava o ciúme do Matheus, se não no mínimo o ato de defende-la de algo que ela estava tentando sair. No fundo era tudo muito romântico, apesar de o André estar no hospital.
Ao chegarem à recepção e informarem o quarto, ficaram sabendo que o garoto dava depoimento e que tinha repórteres no quarto acompanhando, eles teriam que ficar em silêncio e aguardar, mas poderiam acompanhar a tudo. Ao entrarem ele dava seu depoimento:
- Na verdade a Roberta não namora o Matheus, eles são meus amigos e ele nunca disse nada sobre ela para mim. Eu estou apaixonado por ela e quis me declarar para ela, mas acho que ela não esperava. De qualquer forma, não deu nem tempo de eu saber o que ela achava, pois o Matheus me empurrou duas vezes e eu caí sobre a mesa. Os médicos disseram que bati a cabeça e por isso desmaiei e sangrei. Parece que estou bem, só em observação depois de terminar todos os exames que fizemos ontem. – enquanto ouvia a Roberta corava de vergonha e a Amanda de raiva e tristeza.
- E a Roberta, essa garota que tanto trouxe problemas, ela já falou com vc? – perguntou um dos repórteres.
- Ainda não, mas vejo que veio me mostrar seu carinho e amor, já que ela está logo atrás de vocês. – todos se voltaram e vendo as três meninas, foram direto para a Amanda, que começou a gaguejar e não conseguia falar nada com nada. Foi quando Lívia se intrometeu:
- Essa é a Roberta! E ela não gosta do André! – falou apontando para a amiga, que ficava pequenininha de tanta vergonha. Todos se dirigiram à ela e começaram a fazer muitas perguntas e a deixaram encurralada:
- Então, Roberta, você vai ficar com quem? O Matheus ou o André? O que você acha de tudo o que aconteceu? É difícil ser disputada por dois rapazes?
- Ah... ãh... eu ... não sei, o André e o Matheus são meus amigos, não gosto de nenhum deles...
- Mas qual será a sua resposta para a declaração mal fadada deste garoto, que convalesce por seu amor?
- O André não me ama, a culpa não foi minha!
- Já chega! Vocês estão constrangendo a garota, que só veio visitar o amigo! Voltamos assim que forem embora! – disse a mãe da Lívia, levando todos para fora.
Foram para a sala de espera e alguns dos repórteres os acompanharam e por isso ela resolveu sair do hospital, todos entraram no carro e saíram, muito confusos e nervosos com tudo.
- Pessoal, vamos ligar para as mães de vocês, para avisar o que aconteceu e voltamos mais tarde, vamos para minha casa e almoçamos lá e voltamos em seguida, ok?
Todos concordaram e voltaram fazendo algazarra sobre tudo o que passaram. Depois de almoçarem voltaram ao hospital e o André estava sozinho, pois sua mãe tinha ido almoçar tb.
- Oi André! – disse Lívia toda feliz – Agora está todo famoso, hein?!
- Mas não estou feliz com isso tudo... pois poderia estar em casa, na escola vivendo normalmente, quem sabe com uma namorada nova.
- André, precisamos conversar... – disse Roberta.
- Claro, a gente conversa sozinho, depois que todos saírem do quarto, pode ser?
- André, você está se sentindo melhor? – perguntou Vitor – Sabe que você agiu errado, não é? Você nunca percebeu como o Matheus olhava para a Roberta, mesmo antes de ela aparecer bonitona naquele dia?
- Nunca percebi. Na verdade, se ele gostasse mesmo dela, porque não tentou se declarar. E quem sabe de quem ela gosta? Ela é que tem que falar!
Eles conversaram por meia hora, consolando o amigo e tentando entender, até que a mãe da Lívia resolveu que era a hora de irem embora. Eles tiraram muitas fotos também, para postar nas redes sociais e deixaram a Roberta conversando com o André, um pouco antes de irem embora. Isso magoou muito a Amanda, que tentou não demonstrar nada, mas a Lívia era muito atenta aos assuntos do coração e percebeu o que estava acontecendo.
- André... não gostei do jeito que você agiu. Eu nunca dei motivos para me tratar daquele jeito. Por que você tentou me beijar?
- Roberta, desculpe, achei que era a melhor maneira de demonstrar o que eu sinto por você.
- E o que você sente por mim?
- Eu acho que estou apaixonado. Estou tentando entender o que passa em mim, mas acho que quando você apareceu tão linda na escola naquele dia... pude ver outra menina, uma mais bonita, a que eu acho que está dentro daquela menina que eu conheço desde criança. Acho que o tempo que nos conhecemos não e deixou ver você como é de verdade.
- André, aquilo era só maquiagem. Eu sou a menina que você conhece e nada mais. Você não gosta de mim, e sim gosta de meninas bonitas, vaidosas e que se vestem na moda. Isso não é amor, é só uma confusão. De qualquer forma, eu vejo você apenas como um amigo, nada mais.
- Você gosta do Matheus? – perguntou o garoto todo magoado.
- NÃO! – respondeu toda desconcertada, pois fora pega em um momento dúvida, ela não sabia se gostava mais...
Já em casa, perdendo o dia de aula, todos estavam com suas famílias e vendo a tv, quando a reportagem aparece na televisão com o título “O caso de amor de dois adolescentes e o ciúme de um rival”, dando aos amigos motivos para falar que agora André e Roberta eram namorados.
Matheus passara o dia com a mãe na delegacia, e o pai do André, a Diretora dera seu depoimento na noite anterior e eles tiveram que fazer corpo de delito antes de fazer a declaração do garoto. Chegaram à casa deles cansados, mas com esperanças de que tudo não passava de uma confusão, pois o Matheus não pretendia bater no André, apenas o empurrou para ele não agarrar a Roberta.
Ao ver a reportagem e tudo o que se passou naquela manhã, a mãe de Matheus disse-lhe apenas:
- Agora as coisas estão certas, essa menina não serve para você, meu querido. Você é lindo e vai ter a moça que quiser, e melhor, a moça mais bonita e inteligente que quiser!
- Mãe, é mentira. Eles não namoram, não.
- Esquece isso, meu amor. Vai tomar um banho, precisamos descansar.
Matheus não queria acreditar naquilo, tanto que nem percebeu que a mãe categoricamente não aprovava seu sentimento pela Roberta. No coração ele estava temeroso de que a televisão estivesse correta. Será que a Roberta não entendera que ele a estava protegendo e que tudo foi um acidente? Será que ficou com tanto dó do André que não soube se expressar? Será que ela gostava do André? Foi dormir mais cedo com muita dor de cabeça, e tentando não chorar.