Lei de direitos autorais

LDA - Lei nº 9.610 de 19 de Fevereiro de 1998

Artigo 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:

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5 de ago. de 2014

A menina que roubava livros: livro x filmeA menina que roubava livros: livro x filme



 Por Laura Lucy Dias

Essa é uma resenha crítica e poderá conter spoilers. Não contarei nada sobre o livro, mas as comparações e os itens contados são reveladores, e se darão sobre os itens textuais, de adaptação e sobre as histórias contadas.

Para começar, eu vi o filme primeiro, na semana do lançamento. O livro vim a ler agora, terminei ele anteontem (3/8/2014). O filme é lindo, uma boa adaptação, mas como acontece com outro filme/livro que amo – o “A casa dos espíritos”, com as lindíssimas Meryl Streep, Glenn Close – não há como abranger todo o conteúdo, e assim o roteirista tem que se virar para manter a essência do livro no filme, sem prejudicar, mesmo que a adaptação seja drástica como em muitos casos.

Primeiramente o livro tem quase 400 páginas, e passasse por vários anos. O filme tem apenas a duração básica de pouco mais de uma hora, quase duas. Não há como fazer milagre, por isso a gente começa a perdoar. Mas o que não perdoo foi a alteração da voz do narrador. Na quarta capa já se sabe que o livro é narrado pela morte, não é? Então... no livro ela se dirige a si mesma como um ser feminino. No filme colocaram a voz masculina, e isso, ao comparar com o livro e o desenvolvimento do narrador personagem (é, ela é personagem, sim) do livro, não haveria como ser um ser de princípio masculino. Isso me ultrajou como mulher e especialista em literatura.

Mas passamos por isso e vemos acontecerem muitas coisas. O que mais me agradou no filme foi o Elenco: Papai com o Geoffrey Rush (me delicio a ver seus filmes em inglês, sua dicção é envolvente, linda) e Mamãe com a Emily Watson (Já viu “Dragão vermelho”? Veja, ela dá um show. Fora que amo esse filme que tem outras feras inigualáveis.). A menina é lina, mas nada de magricela como a Liesel, pois deve ter um problema sério de colocar atores normais – isso é feito em “The Orange is the new Black”, mas só para maiores -  para ser o personagem principal, tanto que o fizeram com os outros atores e no filme “A culpa é das estrelas”. Ter câncer terminal e manter aquela forma? Tão idealizado quanto irreal.

Outras adaptações que foram inteligentes no filme são os acontecimentos que vêm no livro através de uma narrativa psicológica (narrativa no ritmo da memória, diferente da cronológica que acontece com o decorrer do tempo, acontecimento após acontecimento, sem ir e voltar no tempo). Por exemplo, quando Rudy faz a vez de Jesse Owens no livro, a Liesel não havia chegado à Molching, mas no filme colocaram a situação como cronológica. O filme é cronológico, acho que só para alguns momentos há uma memória, mas não lembro-me bem.

De fato chorei muito no filme, ainda mais pelo fim de Papai, amo este ator, não o matem mais! Que seja no filme não se pode aprofundar muito nas personagens que ali estão, ao contrário do livro. Além de as situações ficarem inusitadas, a Liesel não conta histórias da cabeça dela, ela simplesmente lê seus livros, ela também não é roubadora de livros, a mulher do prefeito sabia dos roubos, se torna a roubadora de livros devido ao fato de ela ser uma ladra devido as circunstancias de sua vida e da dos demais adolescentes daquela região em meio a uma guerra. Ela se torna roubadora em seu próprio livro, perdido ali na explosão em que há a fatalidade de faze-la a única sobrevivente de sua rua Himmel.

No livro chorei quando ela foi levada para o funeral, omitido no filme. Não lembro no filme como acaba, mas ela fica com a mulher do prefeito e ele, convive com o pai de Rudy e realmente reencontra com Max, ao findar a guerra.

Essas são minhas premissas sobre a comparação, agora falando da genialidade do livro e seu autor, não sei se há muitas narrativas assim, mas é muito bem encadeada e me trouxe surpresas. A literatura tem se permitido cada vez mais a subverter regras editoriais e de estilo. O livro é muito bonito editorialmente falando, estruturalmente falando em relação a narrativa e ainda mais em seu conjunto. Personagens fortes, história marcante, verídica ou não, facílima de ser aceita pelo leitor.

Para começar falemos da narração e estrutura de capítulos e editorial, se posso dizer assim: a morte narra a história por motivos que você descobrirá no final. Ela é como uma velha muito lúcida e culta contando algo para você, mas sem repetir muito, ela se intromete diversas vezes e uma maneira de se intrometer é o zigue zague que ela faz no tempo para contar cada coisa, isso nos aproxima de uma narrativa oral e ainda faz com que nos aproximemos dos personagens. Para ser exata, a morte  conta pra nós o final antes de tudo, o que demonstra que o final não é o mais importante e ainda faz com que o leitor se apegue a história, pois apesar de dizer o que acontecerá, não diz tudo.

Ainda dentro da narrativa que envolve livros, acima de tudo envolve a aprendizagem da leitura e da escrita de Liesel, e a morte acaba por colocar alguns verbetes e lembretes no meio dos textos e dos capítulos. Isso foi genial para mim, não sei se há muito disso hoje em dia, pois costumo ler mais literatura clássica ou neoclássica, mas de fato, inclui além disso os desenhos de Hans e de Max, os textos de Max entram com uma caligrafia de tinta de parede, fazendo a vez de aproximar-nos do lugar onde se desenrola, assim como a luta de boxe.

Isso pode ser genial, mas o livro vai além da narrativa, é um hibrido de narrativa poética em vários momentos, mas apenas com elementos de metáforas displicentes que mostram como o autor é delicado em seu escrever e na sua visão de sua história. Começa a nos dar a dica, a nos impor essa maneira de lidar com as comparações quando a morte começa a falar, antes de tudo, sobre as cores. Há diversas maneiras de qualificar as coisas, algumas estranhas demais outras delicadas à beira da emotividade, mas principalmente que arranham-nos para entendermos aquelas passagens, para termos em nossa pele ideal a sensação da própria morte em relação ao narrado e descrito.

Simplesmente lindo. Eu não esperava tanto, confesso, e me agradei por demais, mesmo com as falhas do filme. O livro tinha 2 palavras que não conhecia, e não consultei no dicionário. Amei isso. Poucos são os livros que o fazem hoje em dia, e não falo das mantidas em alemão. Aliás, a tradução é muito delicada e inteligente! Parabéns à Intrínseca.

4 de jul. de 2013

Guerra mundial Z: Brad Pitt e Zumbis.

Por Laura Lucy Dias

Foto retirada deste link
Assisti no cinema dia quatro de julho de 2013, não posso dizer que fui preparada para ver o Brad Pitt e Zumbis no mesmo cenário. Sou fã do ator, e claro que fiquei tensa com a possibilidade de me decepcionar com o filme, então minhas expectativas reais eram de um filme mediano em relação ao roteiro.
O fato de ser o Brad Pitt talvez tenha me deixado um pouco mais tensa, o que deu uma emoção maior nas cenas onde ele corria perigo. A cena do caminhão, no começo foi a primeira e foi bem tensa para mim.
Claro que é um filme de zumbi e fiquei bem preocupada com o que seria a proposta, visto que a sinopse diz que “é um pai de família que depois de um apocalipse zumbi tenta descobrir a cura para o problema.”. Isso é bem clichê e tem tudo a ver com seriados e filmes que conheço de zumbi, e olha que assisti muiiitos.
Para mim o melhor roteiro é o clássico “madrugada dos mortos”, o melhor filme é o “extermínio 2” e o mais moderno e atual o “residente evil”-  só o primeiro -, e ainda coloco aqui o “REC 1” como um bom filme e um bom roteiro de perseguição zumbi, e broxante no final. Por todos eles serem bem diversos e abrangerem uma cultura zumbi ampla, fiquei esperando que o filme fosse uma mistureba de tudo isso, e nada mais.
Bem, claro que é um pouco de tudo isso, tem a velocidade dos zumbis como no “extermínio”, mas, além disso, eles são mais animalizados, parecidos com os predadores do tipo leão e felinos de grande porte, e como no “extermínio” não há a coisa da comilança de seres humanos, e como neste e no “residente evil” é uma infecção, mas neste último se sabe de onde veio, no outro e no “guerra mundial Z” não há uma fonte sabida do agente infeccioso.
Temos o núcleo familiar, os problemas morais, a empatia para com esse núcleo familiar e toda a perseguição. Alguns paradigmas são quebrados e acabam nos empolgando, outros não, mas basicamente é o desespero de ver o Brad Pitt sendo ameaçado, caçado, abandonado, e etc... isso ajuda bastante, a nossa empatia pelo ator. Kkkk
Vale a pena ver, ele é inovador dentro de um limite possível em relação ao tema, não é nada mais nem nada menos do que as expectativas de um bom filme de zumbi, sem piração, sem novas propostas, mas com um novo olhar, uma aceleração maior dos acontecimentos e tal.

3 de mar. de 2013

A primeira vista, um filme para refletir



   De 1999, A primeira vista é um filme que relata a vida de um homem cego que encontra seu amor, e mesmo vivendo bem e ele trazendo à ela perspectivas novas ela ainda quer possibilitar a ele voltar a enxergar.
Retirado deste link
   Ele trata da identidade do cego e da questão do desenvolvimento do cérebro e a visão. Vergil aceita fazer a operação, e acaba perdendo as referências de sua própria identidade, relacionando-se com o mundo vidente de forma atrapalhada e muitas vezes ainda como o cego. Utiliza-se do tato e outros sentidos, pois para ele as coisas não têm a mesma referência. A relação com o outro muda, a relação com os objetos muda e ele que passa a parte inicial do filme sorrindo muito, passa a ser infeliz.
   Acredito que mostrar para o vidente que o mundo do cego é tão natural quanto o nosso, e que o seu mundo pode ser da forma que é sem que tenhamos que acreditar que enxergar é toda a solução do mundo  é o principal ponto positivo.
   O filme mostra o cego como um ser completo: sensual, atuante, ativo, profissional, um cidadão como outro qualquer, mas limitado não pela sua condição de cego, mas sim pela condição de um mundo vidente.
   O filme tem muitos pontos positivos, humanizando o cego e retirando a necessidade de cuidados que o vidente às vezes dispõe a ele como acontece com a sua relação com a irmã mais velha.
   Gostei muito do filme, vai além da questão romântica, mas já meu marido achou "chatinho", então para assistir, você deve estar de mente aberta e naõ esperar mil explosões e nem mesmo comédia, pois é um drama.

25 de fev. de 2013

Pedagogia do amor em "Os Miseráveis"

Por Laura Lucy Dias



Retirado deste link
   O filme é a mais nova adaptação da obra literária de Victor Hugo, e esta obra tem muitas adaptações que vêm agradando a gerações desde o cinema até o teatro.
   Os temas abordados nesta adaptação (de 2012) estão ligados às questões como justiça, família, cidadania, liberdade, coisificação e principalmente ao amor. É, ao amor!
   É através o amor que Jean Valjean vive a saga principal do filme: amor à família ao roubar um pão, amor a deus quando sua alma é salva pelo padre através da justiça e amor divino, amor à cidade e à fábrica que gere, amor à Fantine (mais uma face da injustiça social - lado feinino do herói) e amor à Cosette, ao ponto do sacrifício.
   Apesar de Jean Valjean ser um anti-herói, é o protagonista de uma história que leva seu telespectador a se perguntar, da mesma forma que o protagonista e o antagonista: Quem sou eu?
  Tanto Jean Valjean quanto Javert chegam a sua anagnorisis trágica (reconhecimento de quem se é) quando percebem o que o estado (a monarquia, no caso da França no período histórico da narrativa) faz com eles, sendo o primeiro transformado de homem forte e amoroso em um ladrão e fugitivo e o segundo um alienado inspetor de polícia que apenas cumpre as leis, sem ao menos questioná-las!
A batalha lembrou-me este quadro.
   Esta questão vai até "Vive la France", que é o momento no qual a população, que até o quadro macro da história, vai À luta ao ponto da morte de milhares de homens, para responder à pergunta com esta frase: Eu sou um homem (povo) livre!
   Para finalizar, a adaptação deixa clara qual deve ser a coisa mais importante, e acaba ficando de lado sob o subjulgo do poder, e esta é a família. 
   Um lindo e emocionante musical, não li o livro ainda, mas acredito que a adaptação fez o melhor que possível, visto a amplitude da obra e a grandeza dos temas.

18 de fev. de 2013

As Vantagens de Ser Invisível, Gisele Silva



Por Gisele Silva


Retirado deste link
O livro As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky, que é um autor estadunidense, que, além de escritor é cineasta, é um livro incrível que fala sobre muitas questões que passamos no correr da adolescência, medos, desilusões, encontros, desencontros, alegrias, tristezas... 
Num primeiro momento ele pode parecer ser meio bobo, mas é de uma profundidade imensa, ele é escrito em cartas, onde o narrador Charlie, conta sua vida durante um ano para uma pessoa que ele não conhece e provavelmente nunca vá conhecer. Charlie passou por momentos delicados em sua vida, um garoto fechado, sem amigos e seu único amigo comete suicídio e ele nunca descobre a causa, já que seu amigo se foi sem nunca deixar margem do que possa ter lhe causado tanta dor.
Ao iniciar o Ensino Médio, Charlie encontra um casal de irmãos (Patrick e Sam) e logo vira amigo deles, passando a viver histórias encantadoras e a finalmente começar a fazer parte de um grupo, Charlie se apaixona por Sam, a irmã, mas acaba namorando outra garota do grupo e por conta disso acaba armando problemas que ele não consegue resolver prontamente, assim como todos nós já passamos ou vamos passar por esse tipo de situação. Ele volta a se isolar, voltando a amizade com os amigos com o passar do tempo, ao defender seu amigo de problemas com relação a preconceito. Além da temática morte, temos também a questão do homossexualismo, já que Patrick é gay e tem um caso com outro garoto que tem namorada e é popular, além de ser daqueles machões jogadores de futebol americano. Patrick vai a diversos lugares onde se pode encontrar um par, podemos perceber que a sociedade, tanto a estadunidense quanto a nossa, ainda é muito preconceituosa com relação a esse assunto. E talvez uma das temáticas mais dramáticas e complicadas da trama se encontra na questão do abuso sexual tanto em mulheres quanto a pedofilia, isso é falado suavemente no livro, devido ao fato de serem cartas, Charlie tenta ser o mais fiel e com o cuidado de não ofender seu leitor e, ao ler, ficamos estarrecidos com o fato e como a mente humana pode esconder determinadas coisas que passamos durante a infância, trazendo a tona com apenas um gesto.
O que mais impressiona na leitura são os livros que Charlie lê durante o romance e as músicas que escuta. Seu professor de Inglês vê seu potencial e lhe dá livros maravilhosos para que ele leia e faça trabalhos em cima desses livros, leituras que são magníficas para se aprender mais sobre a vida e superar anos que podem ser os melhores, mas também o mais carregados que possamos ter. Não são livros de autoajuda, como temos visto nas livrarias e sim clássicos da literatura universal, como O Apanhador no Campo de Centeio, Hamlet e On The Road. As músicas que ele escuta e costuma gravar em fitas K7 - sim em fitas k7 -, são lindas, sua banda predileta é The Smiths, com suas letras tristes, mas que falam exatamente o que estamos sentindo em determinados momentos.
Por fim, Charlie, depois de uma grande crise decide viver, decide conhecer outros mundos e outras pessoas, fazer sua vida valer a pena e superar seus medos e fracassos, como todos nós acabamos fazendo em algum momento de nossas vidas.
 Um livro encantador e profundo que pode ajudar a nos entender e a entender o mundo, fazer pensar e agir sobre ele de forma mais consciente e de forma leve. Leia com carinho e poderá se beneficiar muito, seja adulto ou adolescente.